sábado, 9 de junho de 2012

Jovens procuram desesperadamente viver da música em Portugal



Todos partilham a mesma paixão: a música. Têm como principal objectivo deixar a sua marca no panorama nacional de música e deixar de ser meros artistas “sem nome”.

O fim-de-semana, normalmente tão esperado pela maioria das pessoas por ser sinónimo de descanso, é para Carolina, Tiago, Rui, João e Rui Sérgio, sinónimo de trabalho. É principalmente à sexta, ao sábado e ao domingo que trabalham.
Passando à apresentação destes cinco jovens músicos portugueses temos: Carolina Azevedo (18 anos), aluna do 12º ano na Escola Básica e Secundária de Ourém, frequentou o Conservatório durante seis anos no curso de clarinete.       
João Catarino (18 anos), aluno na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa começou a aprender a tocar guitarra com o pai, aos 13 anos. Apesar de ter frequentado as aulas de piano, formação musical e classe conjunta durante um ano no Conservatório, obteve a restante formação, que hoje detém, sozinho e com amigos.
Tiago Morgado (23 anos), aluno de Engenharias Aeronáuticas no Instituto Superior de Educação e Ciências em Lisboa, iniciou a sua formação aos nove anos. Frequentou a Banda Filarmónica de Ourém e o Conservatório e, hoje, sabe tocar órgão, clarinete, viola, guitarra clássica e baixo.
Rui Reis (42 anos), licenciado em Engenharia de materiais, não tem qualquer tipo de formação musical. Tudo o que sabe tocar na guitarra aprendeu sozinho.
Rui Sérgio Oliveira (25 anos), licenciado em Formação Musical na Escola Superior de Música de Lisboa, principiou a sua formação aos oito anos na Banda Filarmónica de Ourém, frequentando, posteriormente, aulas de piano, formação musical e coro no Conservatório. Após oito anos obteve o curso completo de piano. No seu tempo o Estado apenas apoiava as escolas de música e os conservatórios. Em 2002, o Estado criou um sistema intitulado ensino articulado, cujo é uma forma de frequentar o ensino da Música. O Conservatório e a escola regular articulam - se entre si, de forma a aliviar a carga horária do aluno e a não duplicar as suas disciplinas. Nesta modalidade, o aluno frequenta um plano de estudos especificamente adaptado, sendo que as disciplinas do Conservatório são integradas na matriz curricular da escola regular e os alunos não têm qualquer tipo de encargo económico. 
 Apesar da paixão em comum, todos se encaixam neste mundo de formas distintas. Carolina Azevedo destaca – se dos restantes, pois é a única que não toca em bares para ganhar a vida. Actualmente faz parte de uma orquestra de sopros, que apenas faz concertos em auditórios, cinemas e anfiteatros. No entanto, tem uma característica em comum com Tiago Morgado e João Catarino. Os três debatem – se diariamente com a luta de conjugar os estudos com a música. Tiago Morgado admite que requer uma grande organização de horários. Durante a semana tem que conciliar os ensaios regulares das quatro bandas a que pertence, juntamente com as aulas. E ao fim-de-semana, ao contrário da maioria dos estudantes que o aproveitam para estudar, toca em bares. Por outro lado, João Catarino revela que essa conjugação nem sempre é fácil, pois tem que fazer opções, que nem sempre são as mais favoráveis. Durante a semana tem os ensaios para o projecto em que se encontra actualmente de músicas originais e aos fins-de-semana tem as actuações. Confessa que é uma “luta constante entre o pensamento e o coração e, por vezes, é a escola que fica para trás pelo amor à música.” Pretende terminar a sua licenciatura em Direito, paralelamente com a vida artística, porque sabe que viver da música em Portugal é muito difícil. “No nosso país é uma questão de sorte ou oportunidade, e estes são factores que nem sempre existem”, relata com alguma tristeza. Carolina Azevedo reconhece que o mais complicado é conseguir manter um bom desenvolvimento em ambas as actividades, pois a carga horária é muito pesada.

Para Rui Reis, apesar de já ter concluído o seu percurso académico, também se torna complicado conjugar a música com os restantes aspectos da sua vida. Adepto da agricultura de subsistência e dos produtos naturais relata em tom de brincadeira, que durante a semana o tempo é dedicado a “cuidar da minha horta e das minhas galinhas”. Conjuga este modo de vida com os ensaios regulares nas três bandas de que faz parte, com a prática do instrumento, bem como, o leccionamento da iniciação à formação da guitarra. Já teve outros empregos em nada relacionados com a música, que a tornaram um passatempo, mas hoje em dia é o seu meio de sustento.


Encontram-se neste momento a gravar um EP (mini-cd com cerca de dez músicas) patrocinado pela Farol Produções. Para além de estarem em fase de gravações, estão também a ensaiar para as actuações que vão tendo. É sem dúvida uma das fases mais importantes das suas carreiras, o que provoca uma grande ansiedade e nervosismo. Na estreia do EP vai estar presente Pedro Abrunhosa, o que faz subir ainda mais a fasquia do momento. Nada pode falhar e vão dar tudo o que estiver ao seu alcance! Sobre este acontecimento que, os vai lançar no mundo da música em Portugal, conta que “o futuro é incerto. A vida de músico é aproveitar o dia-a-dia como se fosse o último. É viver o momento e tentar transmitir às pessoas o melhor da nossa música.”                                         



A situação de Rui Sérgio Oliveira é completamente diferente das restantes. Vive para a música e esse é o seu meio de sustento. Toca actualmente em cinco bandas, dá aulas particulares de guitarra e piano, e lecciona educação musical no Colégio São Miguel, escola onde estudou. A sua semana fica então resumida a durante o dia dar aulas e à noite estudar música e a ensaiar com as bandas das quais faz parte, sendo que aos fins-de-semana tem os concertos. Dá aulas pelo dinheiro, mas toca em bares pelo gosto, relatando que “tendo em conta que não há grandes apoios aos músicos executantes de bandas, torna-se necessário recorrer a outras actividades, tais como as aulas de música, para puder ter maior sustentabilidade a nível económico”. O lucro que tem a tocar em bares é muito pouco porque os instrumentos, as deslocações e o material de som é todo pago por eles e estes têm um preço elevado. 
Apesar do número crescente de jovens licenciados no desemprego, Rui contrapõe dizendo que “não há falta de emprego na área da formação musical” e que até “há falta de professores qualificados nas escolas”. Por ano recebe várias propostas de trabalho, mas é com as bandas que quer seguir o seu percurso. Apenas tirou a licenciatura para, em caso de falha dos outros recursos, ter algo em que se agarrar. Um inquérito feito pela Universidade de Évora em 2004 veio provar precisamente o mesmo. O estudo incidiu na inserção na vida activa dos recém-licenciados em música e concluiu que relativamente ao tempo de espera para a obtenção de emprego, os dados obtidos no inquérito revelam que “os licenciados acedem ao primeiro emprego com uma relativa rapidez” afirmando que “5/6 respondentes obtiveram emprego antes da conclusão do curso e 1/6 conseguiu emprego até um mês após a conclusão.” Os licenciados em Música tiveram acesso ao primeiro emprego através de um conjunto diversificado de meios como: convite, local onde realizou o estágio/trabalho de fim de curso, concurso público e conhecimentos pessoais.
Um dos mais recentes projectos de Rui Sérgio é uma banda instrumental portuguesa, chamada “GBGBG”, feita por portugueses, mas num estilo universal. Tanto este como os outros projectos de que faz parte não têm qualquer tipo de apoio por parte do Estado. Os músicos são dos poucos trabalhadores no mundo que têm que comprar os seus instrumentos de trabalho e, no caso português, têm que os compram sem qualquer tipo de contribuição do Estado, como por exemplo um subsídio. Rui considera que “o Estado ainda vê a música como um passatempo e que, em comparação a outros países do mundo que apoiam os seus músicos, a música em Portugal ainda não é considerada relevante para a economia”. Contudo as bandas têm que se colectar nas Finanças, como qualquer outra actividade. Os recibos que deviam ser exigidos pelas entidades que os empregam, como por exemplo os bares, não iriam cobrir as despesas que têm. Para além desses recibos, é indicado no site do Sindicato dos Músicos como obrigatório, tanto para as bandas como para os donos dos bares, assinarem um “contrato de execução de obras musicais”, para que todos os direitos e deveres sejam respeitados, sem excepções. Os cachets que recebem não são muito elevados, devido principalmente à conjuntura actual e variam consoante a deslocação, o tempo de actuação e o tipo de evento. No entanto, é apresentada no site do Sindicato dos Músicos uma “tabela de cachets mínimos”, que não é de todo respeitada. 
 João Catarino, para além de pertencer a um grupo de baile, que toca música tradicional portuguesa e que por isso chama mais gente, faz parte também de um projecto de músicas originais, todas da sua autoria, chamado “Capitão Ortense”. Formou-se a partir de uma outra banda de covers de rock chamada “Re-verb”, que já terminou. Esta banda permitiu-lhe começar a tocar em bares, a ganhar conhecimentos e experiência para “transportar” para os originais. Deu-lhe dinheiro para adquirir os instrumentos, mas ao mesmo tempo uma “satisfação momentânea”, pois baseava-se apenas em ensaiar, tocar e receber o dinheiro. Confessa que “aprendi o conceito sério de banda, o que era preciso fazer para um projecto ter seriedade”. Pelo contrário, a banda de originais requer mais trabalho, mas um gosto maior porque “tenta chegar-se ao maior número de pessoas a música portuguesa”. Brinca ao dizer que considera a banda de covers “um filho adoptado” e a banda de originais “um filho legítimo”, porque “nos dá a possibilidade de transmitir tudo o que quisermos, uma determinada mensagem, o que nos proporciona um maior reconhecimento”. A sua banda de originais tem um grande prestígio na cidade porque o ano passado venceram o “Festival dos Chícharos de Santa Catarina da Serra”, o “Concurso de Bandas do Arte Caffé” e partilharam palco com João Pedro Pais, nas Festas da Cidade de Ourém. A sua estratégia é “tocar uma vez por mês onde vão mais pessoas e fazer o melhor, para elas aderirem e não se cansarem”, apesar de ter noção que “se ganha menos dinheiro com os originais pela falta de conhecimento das pessoas e o medo de investir na novidade”. Afirma que escreve sobre as coisas em que acredita, para mais tarde não existir a hipótese de arrependimento. Fala nas suas músicas sobre a retrospecção do próprio valor que as pessoas deveriam dar às coisas. O objectivo da sua escrita é “fazer com que as pessoas se identifiquem com o que ouvem, aperceberem-se de que já lhes aconteceu o mesmo e que não estão sozinhas”.
Quando confrontado e à semelhança dos outros quatro jovens músicos, não tem qualquer tipo conhecimento sobre a existência de alguma instituição que os apoie financeiramente, nem mesmo da existência do Sindicato dos Músicos. Os músicos em Portugal são representados por um Sindicato e que existiam no nosso país associações musicais, fundações de carácter musical, centros culturais, auditórios e museus de música, que não são mais do que meros estabelecimentos onde se exerce a prática da música.
 Apesar de alguns destes jovens terem seguido percursos académicos em nada relacionados com a música, todos pretendem continuar neste mundo. Vêem-se daqui a dez anos de formas bem distintas no ramo da música. Carolina Azevedo pretende licenciar-se em Formação Musical, para posteriormente puder dar aulas em conservatórios, e quem sabe mais tarde tirar o curso de clarinete. Tiago Morgado, que tem como duas grandes paixões a música e os aviões, quer continuar a vida toda na música, mas se posteriormente não conseguir alcançar os seus objectivos neste ramo, quer pilotar aviões.
 Rui Sérgio não quer tocar com artistas conhecidos, pois quer lutar pelo que acredita e levar as suas ideias até onde elas puderem ir. No futuro, caso as coisas não resultem, irá optar por acompanhar um artista, apesar de não se identificar com nenhum artista que toque actualmente em Portugal. Tem como perspectiva imaginária tocar com uma das bandas que criou pelo mundo inteiro, a dar a conhecer a música portuguesa; e como perspectiva da realidade deseja dar aulas de música numa escola, apesar de não se sentir tão realizado profissionalmente, como na perspectiva anterior.
João Catarino inclui nos seus planos de futuro constituir família e tem noção que tocar em bares não vai ser suficiente para ter a estabilidade financeira necessária, por isso, investe na sua licenciatura. Defende que os “Capitão Ortense mais que uma banda é conseguir perceber que através de uma amizade se conseguem retirar diferentes resultados, traduzidos em sonoridades diferentes e letras, que tentam explicar o dia-a-dia de cada um que é tão difícil.”
      



quinta-feira, 24 de maio de 2012

Todos temos direito à profissão

O que dizer sobre a profissão mais antiga do mundo para muitos historiadores? Passados todos estes anos a prostituição continua a viver na "escuridão" do acompanhamento personalizado, destruidora de muitos lares, um desabafo viciado, envolvido numa visível economia paralela. Continua o fruto proibido a ser o mais apetecido? Não! O dinheiro surge rápido, em quantidades apetecíveis. Não é fácil trocar uma prestação de serviços de "acompanhamento" falseado. Pergunto eu para quê tanto tabu sobre um tema tão antigo como este? Já ninguém acredita na boa vontade destas pessoas que ganham dinheiro fácil de uma forma difícil, dinheiro que circula nas ruas sem passar por nenhum sistema de finanças, dinheiro que só conhece a escuridão da noite, talvez tão sujo como as casas ou os becos onde as "meninas" já são uma rotina e os clientes, os do "costume". Os relatos de quem ganha vários salários mínimos numa noite, sem nunca declarar qualquer tipo de montante, são relatos de quem esconde a cara por vergonha ou por respeito, mas que consome as reformas e os salários dos viciados ou solitários, que se deslocam aos becos, ruas ou qualquer tipo de local para se sentirem alguém que não conseguem ser no dia-a-dia. 
Dizem algumas mulheres no seu melhor tom, que têm uma vida que lhes garante um bom salário. Legalizar porquê? Ou porque não? As coisas existem, por isso, vamos encara-las de frente e assumir que elas existem. Creio que legalizar este negócio não vai trazer os maiores benefícios à profissão. É complicado declarar este dinheiro, que mais tarde se vai tornar menos rentável para algumas casas que perdem a clientela do costume. A declaração do IRC é um fardo muito pesado, como aliás é para quem dá a cara e ganha o seu pão de forma digna e limpa e, os lucros que dão para grandes níveis de vida seriam extintos. Será que legalizar o ramo tornaria as coisas demasiado limpas para as pessoas que usufruem desta prestação de serviços e perderia a sua essência?
Continuando com os aspectos menos positivos desta profissão se manter ilegal, poderíamos referir muitos, mas queria apenas especificar alguns, tais como, o tráfico de pessoas, as condições precárias em que a grande maioria das pessoas que trabalha nesta área consente e os factores socioeconómicos, que em nada favorecem a instituição do nosso país que é estado. Muito por esse mundo fora se fala de tráfico de pessoas, mas até agora poucos fizeram algo para o evitar. Todos os anos são noticiados dezenas de casos de pessoas que vão procurar uma vida melhor para um país que não é o deles, acabam a trabalhar em condições desumanas e a receber um salário que nem dá para comer. Por vezes, acabam aprisionadas aos chamados “chulos”, cujos fazem dinheiro e ganham a vida à conta destas pessoas. As condições em que estas pessoas vivem, em termos de higiene e segurança, são propícias à criação e ao desenvolvimento de doenças. Desta forma não se consegue controlar a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. São estes locais que têm que ser escondidos devido à sua ilegalidade, pois dão jeito às pessoas que os frequentam, que não se importam com as condições de quem lá trabalha, apenas se preocupam com a sua ida silenciosa a estes locais, satisfazendo os seus fetiches ou procurando apenas uma companhia. Seja o que for, eu trato isto por egoísmo. Por fim, esta minha última referência à economia paralela existente no mundo satisfaz muita gente, menos quem trabalha de sol a sol para ganhar uns míseros 500 euros. Este mercado humano que envolve grandes quantidades de dinheiro não declarado, dinheiro sujo que cai sempre nos mesmos bolsos e que ninguém sabe onde está ou não quer saber. Duvido que a Direcção Geral de Finanças ou a Segurança Social recebam algum tipo de impostos. Se receberem certamente está “mascarado” num outro negócio qualquer. Num país em que a economia paralela detém uma percentagem elevada e, tendo em conta a actual conjuntura, talvez fosse melhor limpar o “dinheiro sujo” que anda por ai envolto num ciclo vicioso. 
Vários foram e são os movimentos para legalizar esta profissão. O mais recente e com mais ênfase apresenta - se através de uma petição pública no site nacional da petição pública na Internet, com o intuito de ser enviado à Assembleia da República, órgão que tem por função primordial a função legislativa. A mesma petição refere: “Pelo debate, legislação e legalização da prostituição, e para que seja reconhecida como actividade profissional; porque a questão não é de lobies, partidos ou “votos” mas sim de responsabilidade cívica e social do país!... Os abaixo assinados propõem: combate ao lenocínio, a erradicação da prostituição de rua, a sanidade dos profissionais porque o problema também é de saúde pública, a colecta de impostos para quem exerce a profissão, fiscalização nos estabelecimentos e na publicidade nos vários meios de comunicação social, e direitos e deveres para estes profissionais sem qualquer discriminação.” A existência deste tipo de petições não é de estranhar, basta abrir a Constituição da República Portuguesa para se perceber que através de uma mera interpretação à letra da lei temos vários artigos que poderão servir de base para uma alteração legislativa sobre a matéria. Entre eles encontra-mos o artigo 13º “Principio da Igualdade”, artigo 47º “Liberdade de escolha de profissão (…)”, artigo 63º nº1 “Todos têm direito à Segurança social”, entre outros que poderíamos referir e com a máxima importância numa tese favorável à legalização.
Em conclusão, se vivemos num estado democrático como nos é dito diariamente, como é possível continuar a compactuar com ilegalidades desta dimensão, continuar a fingir que nada se passa e continuar a tratar temas destes com tamanha indiferença? Mais uma pessoa é maltratada, mais uma pessoa é ilegalmente obrigada a trabalhar em condições miseráveis. Alguém tem que dizer um enorme “basta!” a isto tudo, porque continuamos a ser cúmplices de um sistema vergonhoso, que ao ser ilegal só traz prejuízos a todas as partes. Não podemos mover o mundo, pois a maior batalha é mudar as mentalidades. Como disse Aristóteles um dia: ”A esperança é o sonho do homem acordado.”

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Recensão crítica sobre o livro “Uma História da Leitura” de Alberto Manguel


Alberto Manguel nasceu em 1948 em Buenos Aires, Argentina. Actualmente é um cidadão canadiano, por opção. É escritor, tradutor e editor. 
Escreveu numerosos livros baseados em factos reais, como “A História da Leitura”, em 1996 e a “Ilíada de Homero e da Odisseia: Uma Biografia”, em 2008. Redigiu romances em inglês e espanhol, bem como, críticas de cinema, colectâneas de ensaios e, ao longo de vinte anos, editou uma série de antologias literárias de variados géneros e temas, que vão desde o erotismo e histórias gays até à literatura fantástica e mistérios. 
Com a escrita desta obra recebeu em 1998, na França o prémio “Prix Médicis Essai”.



A escrita desta obra é uma grande ousadia por parte do autor. Este escreve uma obra sobre a história da leitura, que já é por si mesmo uma tarefa bastante complexa e, para além disso, ainda utiliza o seu testemunho pessoal como ponto de partida para escrever sobre a história colectiva da leitura.
O livro é uma fascinante viagem pela evolução do leitor e da leitura, que vem colmatar uma enorme lacuna que existia na História da Literatura Internacional, bem como, uma viagem pessoal de um escritor literário, leitor insaciável e entusiasta da história. É um retrato de épocas e mentalidades, o que nos permite observar a evolução da sociedade nos hábitos e relações sociais.
Nesta obra encontram-se fragmentos de experiências de todo o tipo de leitor: o inicial encantamento com aprendizagem da leitura, a leitura compulsiva de tudo o que vemos (livros da escola, cartazes de rua, rótulos de medicamentos), o prazer de acompanhar a multiplicação dos significados de uma palavra e, o descobrir do final de uma história. Relata ainda as conformações da leitura em diferentes épocas, dando o exemplo da história do grão-vizir da Pérsia, que carregava a sua biblioteca quando viajava, colocando-a em quatrocentos camelos treinados para andarem por ordem alfabética. 
Esta obra é dirigida para um público tal como o próprio Manguel, alguém que adora ler e é obcecado com as alegrias, tristezas, segredos, e vícios que possam advir de uma leitura agradável e promiscua. 
O livro está organizado em dois grandes capítulos, tendo cada um dez sub - capítulos. O primeiro capítulo denomina-se "Actos de Leitura", no qual Manguel se concentra em aspectos tão variados como antigos clubes de leitura gregos, leitura de imagens de arte, arquitectura, vitrais da Igreja cristã primitiva e, também, como se tornou a forma do livro tal como a conhecemos hoje. O segundo capítulo denomina-se "Poderes do Leitor". O autor muda de escritores que lêem as suas obras em voz alta ao público para livros compostos por e para mulheres da corte japonesa do século XXI. Posteriormente, muda para os esforços feitos pelos proprietários de escravos, nazistas e da Igreja Católica Romana para interditar os livros e, para concluir, fala do processo de categorização utilizado pelas bibliotecas para organizar materiais de leitura. 
Quem abre este livro e se depara com as inúmeras datas e acontecimentos históricos, talvez se sinta tentado a desistir. Contudo, passado este choque inicial, deparamo-nos com uma escrita rigorosa, mas surpreendentemente fluída. 
Porém, quão boa será a história de leitura do escritor? Ele divaga sobre o espaço e o tempo, examinando apenas os aspectos que mais lhe interessam. Não faz nenhuma tentativa de apresentar uma ordem cronológica para 6000 anos de história de leitura dos livros, o que na minha opinião seria o mais adequado, visto que, o tempo é a característica que melhor define qualquer investigação histórica e científica. Não obstante, Manguel começa por explicar a sua resistência a apresentar uma narrativa sequencial da história da leitura e, no fim, pede desculpas por não ter utilizado uma forma mais cronológica e logica da apresentação das suas ideias. Contudo, utiliza fotografias para ilustrar os textos, o que facilita a compreensão. 
Ao longo da obra são discutidos autores como Borges, Whitman e Fernando Pessoa, que “passeiam” diante dos nossos olhos, apresentados de uma forma próxima, com características bem humanas e universais. Tal facto poderá fazer com que nos sintamos familiarizados com as pessoas citadas, apesar de estas terem vivido há séculos atrás. Na minha opinião, esse é um dos aspectos mais fortes da obra, permitir que nos envolvamos na narração, ao invés de ser uma simples exposição dos factos. Como o próprio autor afirma, “Talvez a história da leitura seja, em última instância, a história de cada um dos seus leitores.” (pág. 35).
A leitura é um hábito, mas também pode ser um vício. Ao longo dos séculos esta prática tem arrebatado pessoas de crenças, hábitos e pensamentos bem diferentes. É agora contada num livro dedicado àqueles que vêem nos livros muito mais do que meras palavras impressas em papel.
Uma História da Leitura é assim um livro que apesar de falar de História, não deixa de ser cativante e até divertido. Esta é uma história que não está acabada, que se constrói um pouco todos os dias quando abrimos um livro e executamos o acto milenar de nos deixarmos envolver pelas palavras.

Recensão crítica a Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares




Jerusalém é um romance, tal facto poderá levar-nos a pensar imediatamente que se trata de uma simples composição em prosa e que só os amantes de livros do género irão gostar. A obra mostra-nos que não se trata só de uma história com teor romântico, mas de uma história que trata diversas pragmáticas da nossa vida. A sua particularidade em relação aos outros romances é o facto de este possuir uma série de pequenos capítulos no decorrer da narrativa, com um cruzamento um pouco complexo de histórias e personagens. Por vezes é de difícil compreensão devido aos constantes saltos temporais existentes. 
A perspectiva do autor sobre a morte foi algo que me fascinou imenso porque de um assunto que cria tanta controvérsia nas pessoas, que nunca sabem quando vão morrer, este tem uma visão muito particular e distinta. Cria uma espécie de “fórmula” para a tornar menos assustadora e para tentarmos perceber o dia em que chegará: “[…] ‘qualquer que ele seja, demore muito ou pouco, será o dia em que individualmente o corpo atinge o zero, anuladas as cargas positivas e negativas recebidas e enviadas para o mundo’.” (p. 214). Cria também uma teoria bastante interessante que explica o possível fim da História de um povo: “ […] ‘ povo A/ emissor de sofrimento’ e o mesmo ‘povo A/ receptor de sofrimento’ estivessem equilibrados ‘com exactidão e ao pormenor: número de indivíduos de um lado e de outro.’ […] quando se atingisse este equilíbrio: o zero como resultado do balanço entre violência recebida e exercida.” (p. 212)
O próprio enlace da história é caracterizado por um fim trágico composto por dois acontecimentos que por coincidência se cruzaram numa noite. Ambas as características, morte e fim trágico, são explicadas pelo facto de este livro estar inserido num conjunto de romances do autor (“Um Homem: Klaus Klump”, “A Máquina de Joseph Walser” e “Aprender a rezar na Era da Técnica”) cujo tema principal é o mal, denominado o “Reino” ou “Livros Pretos”.
Muito antes de jornalistas falarem sobre a religião, o escritor debruçou-se sobre este tema de forma breve. Cita por várias vezes a Bíblia e suas expressões: “[…] a Bíblia com diversas folhas agrafadas entre si, folhas finíssimas com consecutivas palavras santas, como é possível tantas palavras seguidas serem consideradas santas? […]” (p. 229); “São Mateus 4, 1: «Então o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo Demónio. Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, sentiu fome.»” (p. 230). 
Apesar de considerar este um livro excepcional e muito particular, no sentido em que é diferente dos livros a que estava habituada a ler, acho que é um pouco explícito e até mesmo exagerado em termos sexuais: “ […] uma mulher deitando sangue do nariz, nua, numa cama, com as pernas abertas, exibia ostensivamente a vagina.”; (p.23) “Procura pêlos púbicos, Theodor, uma compensação púbica […]”; (p.24) “Tendo os pêlos púbicos rapados por completo, aquela mulher exibia os genitais, enrugados […] ao lado daqueles genitais obscenos, explícitos, vermelhos, velhos […]”. (p.245)
Deixou-me a reflectir sobre o verdadeiro valor das pessoas, que por vezes banaliza-mos sem dar conta por distracção ou por desconhecermos o verdadeiro “eu” das pessoas. Também é demonstrado que os objectos têm um valor muito para além daquele que lhes deveria ser dado, é uma reflexão que todos devíamos fazer para nós mesmos: que valor terá isto para mim? É uma pergunta para a qual nem sempre temos resposta, mas sobre a qual deveríamos reflectir mais vezes, é útil parar para pensar, para saber, conhecer, para não ter de dar só valor às coisas quando as perdemos. Mostra uma realidade actual, a exclusão social, feita pela sociedade e endurecida por algumas pessoas, efectuada aos indivíduos “diferentes”, mais especificamente com alterações psicológicas, e a sua posterior auto-exclusão. 
Faz-nos perceber que a morte e as tragédias podem acontecer na nossa vida quando menos esperamos, nunca ninguém está preparado para a morte, ou pelo menos completamente preparado. Veja-se que o ciclo da vida se inicia com o nascimento e termina com a morte, algo óbvio, mas poderíamos viver centenas de anos que nunca há preparação possível para a morte, principalmente quando toca aos nossos ou aos que nos são próximos. Podemos viver com a ausência de alguém, mas vamos sempre pensar no facto de esse alguém existir pois o pensamento é eterno, a vida é que não. Para concluir, fiquei fã do escritor Gonçalo M. Tavares. É fantástico que um homem tão jovem escreva de uma forma tão complexa, a qual demonstra tanta sabedoria, habitualmente visível nas pessoas mais velhas. Deixa-me com imenso orgulho que seja português pois sei que nem sempre se dá o devido valor aos autores de língua oficial portuguesa e, que neste caso, este mesmo autor seja tao reconhecido internacionalmente, tendo mesmo ganho uma série de prémios, entre os quais se destaca: “Prémio LER/ Millennium BCP (2004)”, Prémio Literário José Saramago (2005)” e ainda “Prémio Portugal Telecom de Literatura (2007- Brasil)”. 















Mude de mood


O que se pode fazer para nos sentirmos ainda melhor?

“O importante é que é a si que cabe decidir como vive. Se são experiências reais, virtuais ou fantasiadas, se são clichés ou o último grito, se são profissionais ou só porque sim, se são assim – assim ou inspiradoras… são pessoais. Só a si dizem respeito. Faça o que fizer, torne o seu dia positivo e partilhe-o com os outros. A vida é sua. O poder é seu.” (Vodafone)

Mude de identidade, mude nada ou mude tudo.

*feel good*

- Mude de resolução
- Mude de graduação
- Mude de penteado
- Mude de ambiente
- Mude de chefe
- Mude de caligrafia
- Mude de assunto
- Mude de faixa
- Mude porque sim
- Mude de roupa
- Mude de lado (lado B)
- Mude para escrita inteligente
- Mude de rato
- Mude de triângulo das bermudas
- Mude de estado civil
- Mude completamente
- Mude para multi-task
- Mude de perfume
- Mude de cadeira
- Mude de ângulo
- Mude de janela
- Mude de ritmo
- Mude de ADN
- Mude de século
- Mude de saudação
- Mude de padrão
- Mude de amigo imaginário
- Mude de paredes
- Mude de velocidade
- Mude de desculpa
- Mude de transporte
- Mude de mascote
- Mude de peso
- Mude de lençol
- Mude de narrativa
- Mude de dúvida: não ser ou ser?
- Mude de visual
- Mude de casa
- Mude 180o
- Mude de escrita
- Mude de look
- Mude de pecado
- Mude de cruz
- Mude de nota
- Mude de diversão
- Mude de sonho (Hollywood)
- Mude a sorte
- Mude de cena
- Mude nada
- Mude de figura
- Mude de campainha
- Mude de empenho
- Mude de mantra
- Mude de pulsação
- Mude de frequência
- Mude de jardim
- Mude de fobia
- Mude de tempestade
- Mude de sopro
- Mude o reflexo
- Mude de parênteses (: ;)
- Mude de direcção
- Mude de vibração
- Mude de mentira
- Mude de continente
- Mude de posição
- Mude de segredo (Shhiu!)
- Mude de standard (quality)
- Mude de ventos
- Mude de dieta
- Mude de hobby
- Mude de formato
- Mude de programa
- Mude de cor
- Mude de frigorífico
- Mude de estilo
- Mude de piropo (Seguia-te té ao Twitter)
- Mude de lógica
- Mude de traje
- Mude de Era
- Mude como se não houvesse amanhã
- Mude de discurso
- Mude de disposição
- Mude de estilo
- Mude de microfone
- Mude de protesto
- Mude a história
- Mude de erro
- Mude de tattoo
- Mude de despertador
- Mude de ponto
- Mude de ramo
- Mude de restaurante
- Mude de ursinho
- Mude de bomba
- Mude de oração
- Mude de remendo
- Mude de onda
- Mude o inoportuno
- Mude de horóscopo
- Mude de génio
- Mude de capítulo
- Mude de romance
- Mude de estratégia
- Mude de botão
- Mude esta frase
- Mude num instante
- Mude de traço
- Mude o foco
- Mude de agulha
- Mude de toque
- Mude de corpo
- Mude a história da carochinha
- Mude de mood
- Mude de passo
- Mude de rima
- Mude de castelo
- Mude de pente
- Mude de raízes
- Mude de gravidade
- Mude de acessório
- Mude de bicicleta
- Mude de martelo
- Mude de memória
- Mude de língua
- Mude de sangue
- Mude de vilão
- Mude de marcha
- Mude de loja
- Mude de pin
- Mude de receita
- Mude de história
- Mude de paisagem
- Mude de profissão
- Mude de página
- Mude de notebook
- Mude de ídolo
- Mude de ares
- Mude de nível
- Mude de sorriso
- Mude de temperamento
- Mude de animal de estimação
- Mude de zona
- Mude de rei
- Mude careta
- Mude de perspectiva
- Mude de piscina
- Mude de sentido
- Mude de visão 
- Mude as hipóteses:  a) a) a)
- Mude de motivo
- Mude de meios
- Mude de praia
- Mude de ginásio
- Mude de armazenamento
- Mude de superstições
- Mude um bocadinho
- Mude de férias
- Mude de luz
- Mude de sabor
- Mude de plano
- Mude de lengalenga
- Mude de tesouro
- Mude de prancha
- Mude truque
- Mude a pegada ecológica
- Mude da noite para o dia
- Mude de cenário
- Mude de papel
- Mude de lema (special)
- Mude de relógio
- Mude de carro
- Mude de norte
- Mude de ambiente
- Mude de desejo
- Mude de inimigo
- Mude de líder
- Mude de rumo
- Mude de lado
- Mude com barulho
- Mude o sítio no trabalho
- Mude de estratosfera
- Mude de horizonte
- Mude de mito
- Mude de e – mail
- Mude de cofre
- Mude de habilidades
- Mude de estação
- Mude de destinatário
- Mude de pele
- Mude de computador
- Mude de brilho
- Mude de bota
- Mude de comando
- Mude de vício
- Mude de príncipe
- Mude com estrondo
- Mude de regime
- Mude de rubrica
- Mude de digestivo
- Mude de jogo
- Mude de altura
- Mude de oxigénio
- Mude de dosagem
- Mude de esfregona
- Mude de palpite
- Mude de idade
- Mude de supermercado
- Mude de tapete
- Mude de grito
- Mude de vida
- Mude quase tudo
- Mude de horários
- Mude 77%
- Mude de conceito
- Mude de tradição
- Mude de santo
- Mude de clima
- Mude de condução
- Mude de energia
- Mude de pontaria
- Mude de talheres
- Mude de rodas
- Mude de caneta
- Mude de combustível
- Mude de inspiração
- Mude de instrumento
- Mude de fantasia
- Mude de plantas
- Mude de ar condicionado
- Mude de propósito
- Mude de dimensão
- Mude de filme
- Mude de status: fui
- Mude de headphones
- Mude de lente
- Mude de futuro
- Mude de árvore
- Mude de lembrete
- Mude perfil
- Mude de desafio
- Mude de chapéu
- Mude de iluminação
- Mude de poiso
- Mude de camisola
- Mude simbolicamente
- Mude de champô
- Mude de despensa
- Mude de coordenadas
- Mude de tom
- Mude de correio
- Mude as leis
- Mude de planeta
- Mude de meias
- Mude de boneco
- Mude qualquer coisa
- Mude de dentista
- Mude de técnica
- Mude de agenda

*the end*




  

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Aldeia global? Não me parece!


Os conceitos de comunicação e informação tendem a confundir-se, mas têm lógicas de funcionamento opostas. Têm especificidades próprias, mas também alguns pontos em comum. 
Entre a esfera da informação e a esfera da comunicação existe uma relação: a primeira sobrepõe a segunda. 
Devido a esta heterogeneidade não estamos perante uma aldeia global pois, para isso, era necessário que a  informação fosse igual à comunicação. 
A informação é globalizada e generalizada, contudo, o que pertence à comunicação pertence a um espaço de troca simbólica entre indivíduos da mesma cultura. 
Assim, para estarmos perante uma aldeia global era necessário que existisse uma única cultura, ou seja, que a cultura não diferenciasse a globalização da informação. 
Apresento dois exemplos: 
- o facto de poderem existir lojas da mesma rede, mas, que por estarem em locais diferentes, funcionam de forma diferente;
- a informação é global, no entanto, é assimilada de forma diferente de cultura para cultura, de local para local (por exemplo a Gripe A).
Em suma, a mesma informação tem, assim, recepções diferentes. 
Esta ideia de aldeia global surge do facto dos media terem tendência a homogeneizar a informação.

As razões que explicam o porquê de não estarmos perante uma aldeia global são o facto de:
- cada cultura continuar a definir o espaço de entendimento e a compreensão das mensagens e dos acontecimentos;
- partilharmos um mesmo mundo mediático,não implica a partilha de um mesmo mundo cultural;
- por exemplo, é diferente ver um concerto na televisão que ao vivo (vê-se melhor o concerto na televisão que ao vivo). Tal deve-se ao facto de estarmos perante um movimento de emissão de informação à escala planetária, o que coloca de lado a experiência não mediatizada do mundo, ou seja, a realidade é mostrada como um produto tecnicamente elaborado;
- a recepção da informação faz-se em função de escolhas que se fazem tendo em conta os parâmetros culturais;
- quanto mais se universalizam os fluxos informativos, mais os particularismos culturais se manifestam com a generalização do confronto e do conflito de interpretações;
- existe um desfasamento entre a velocidade dos meios de informação e a velocidade da experiência cultural dos seres vivos.

Concluindo, não existe uma aldeia global, mas a informação tem vindo a constituir um denominador comum a todos os povos. Os dispositivos informativos também interferem cada vez mais com a experiência directa, no entanto, o conceito de aldeia global continua sem se assumir porque ainda existem culturas particulares, que assimilam a informação de diferentes formas. 

quinta-feira, 29 de março de 2012

Outro olhar sobre mim

Eis o trabalho desenvolvido (perfil jornalístico) por Francisco Miranda na aula de LGJ acerca de mim:

"Um salto em frente
Do campo para a cidade. Foi este o salto de Sara Savery, 18 anos, para abraçar o sonho de apresentar o telejornal.
 A jovem estudante natural de Ourém, distrito de Santarém, sentiu na pele a mudança para um dia-a-dia totalmente diferente daquele a que estava habituada na pacata freguesia da Nossa Senhora da Piedade. O curso de Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social é, para Sara, a porta de entrada no mundo da televisão. Mais concretamente, o que a conduz é a ambição de “apresentar o telejornal desde que me lembro de ser gente porque gosto do protagonismo mediático”. “O maior choque da mudança para Lisboa acabou por ser a ausência dos meus pais”, revela Sara que mora com duas outras jovens trabalhadores “que mal vê”. Esta ambição mediática levou o seu pai, António, carpinteiro de profissão, a procurar emprego noutras paragens: “há cerca de um mês foi para França; o sector em Portugal está estagnado, não há ofertas de trabalho e os salários são extremamente baixos para as necessidades da minha família”, assegura Sara. Para além das propinas, a estudante tem ainda de suportar todos os custos de morar praticamente sozinha.
O cancelamento das obras da ligação Madrid-Lisboa do TGV levado a cabo pela Troika fez-se sentir na família de Sara: “o meu pai esteve um ano em casa depois de cancelarem as obras”.
“Ao pé da minha casa em Ourém, há muitos idosos que vivem da terra porque alguns chegam a ter pensões que nem chegam a cem euros” – o congelamento das pensões levado a cabo pelo Governo afecta uma vez mais, ainda que indirectamente, a esfera da vida de Sara. O cenário de recessão económica reflecte-se na vida de Ourém: “muita gente apenas lá vai para dormir pois trabalha, na sua maioria, em Leiria”. A existência de cidades-dormitório parece começar a alastrar-se para o interior cada vez mais desertificado do país."