Os conceitos de comunicação e informação tendem a confundir-se, mas têm lógicas de funcionamento opostas. Têm especificidades próprias, mas também alguns pontos em comum.
Entre a esfera da informação e a esfera da comunicação existe uma relação: a primeira sobrepõe a segunda.
Devido a esta heterogeneidade não estamos perante uma aldeia global pois, para isso, era necessário que a informação fosse igual à comunicação.
A informação é globalizada e generalizada, contudo, o que pertence à comunicação pertence a um espaço de troca simbólica entre indivíduos da mesma cultura.
Assim, para estarmos perante uma aldeia global era necessário que existisse uma única cultura, ou seja, que a cultura não diferenciasse a globalização da informação.
Apresento dois exemplos:
- o facto de poderem existir lojas da mesma rede, mas, que por estarem em locais diferentes, funcionam de forma diferente;
- a informação é global, no entanto, é assimilada de forma diferente de cultura para cultura, de local para local (por exemplo a Gripe A).
Em suma, a mesma informação tem, assim, recepções diferentes.
Esta ideia de aldeia global surge do facto dos media terem tendência a homogeneizar a informação.
As razões que explicam o porquê de não estarmos perante uma aldeia global são o facto de:
- cada cultura continuar a definir o espaço de entendimento e a compreensão das mensagens e dos acontecimentos;
- partilharmos um mesmo mundo mediático,não implica a partilha de um mesmo mundo cultural;
- por exemplo, é diferente ver um concerto na televisão que ao vivo (vê-se melhor o concerto na televisão que ao vivo). Tal deve-se ao facto de estarmos perante um movimento de emissão de informação à escala planetária, o que coloca de lado a experiência não mediatizada do mundo, ou seja, a realidade é mostrada como um produto tecnicamente elaborado;
- a recepção da informação faz-se em função de escolhas que se fazem tendo em conta os parâmetros culturais;
- quanto mais se universalizam os fluxos informativos, mais os particularismos culturais se manifestam com a generalização do confronto e do conflito de interpretações;
- existe um desfasamento entre a velocidade dos meios de informação e a velocidade da experiência cultural dos seres vivos.
Concluindo, não existe uma aldeia global, mas a informação tem vindo a constituir um denominador comum a todos os povos. Os dispositivos informativos também interferem cada vez mais com a experiência directa, no entanto, o conceito de aldeia global continua sem se assumir porque ainda existem culturas particulares, que assimilam a informação de diferentes formas.
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